Segundo ULRICH BECK
Sociedade não é uma aglomeração de seres humanos que a sociologia define como "sociedade". O indivíduo isolado que lê um livro em casa, na tranquilidade de sua casa, também está no campo gravitacional da sociedade. Talvez ele pertença ao chamado segmento culto, pode ser que tenha estudado neolatinas e ganhe a vida escrevendo resenhas. O que a sociologia analisa como sociedade sempre se ajusta ao modo com a própria socidedade se define. De modo que a sociologia não trata da matéria inanimada - como os químicos -, que fica passivamente no tubo de ensaio e se deixa interpretar cientificamente. Pelo conrário, a sociedade é constituída de sindicatos, partidos políticos, pobres, ricos etc., que - e isso é decisivo - produzem uma interpretação própria, a fim de explicar e de defender sua posição e, basicamente, já sabem disso ou se comportam como se soubesse. É contra tal coisa que a sociologia tem de desenvolver sua compreenção da sociedade. O que é "sociedade" só se torna inteligível num quadro conceitual sociológico que, geralmente, parece abstrato para o entendimento vulgar. A sociedade, tal como a concebe a sociologia, escapa à percepção imediata, colide com as auto-interpretações dos agentes sociais.
Ao mesmo tempo, a sociedade é como um grande animal gelatinoso, nebuloso, presente em toda parte e responsável por muita coisa. Quando alguém rouba e você indaga o porquê, o responsável não é propriamente o ladrão - coisa que se oube com muita frequência-, e sim a sociedade. Foi ela que o levou a roubar. A sociologia também lida com sociólogos leigos muito ativos e mais ou menos poderosos, e estuda esses "colegas" justamente em sua relação com o poder. Tudo isso a torna tão desconcertante, tão confusa e muitas vezes até mesmo escandalosa, mas também tão interessante, tão empolgante.
"Após essas afirmativas fico mais curioso pelo campo da sociedade em sua complexidade formando cada vez mais os leigos e passo a acreditar que de médico, louco e sociológo todo mundo tem um pouco".
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